Massagem, dores crônicas e a consciência de si (Parte III)

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            Nesta terceira parte serão analisados alguns trabalhos corporais e abordagens naturalistas que, somadas a massoterapia, podem contribuir para a compreensão das causas, sintomas e resoluções de muitas dores musculares crônicas, além de síndromes miofasciais em geral.

“Eu estava dirigindo quando um carro não conseguiu parar no sinal de PARE e entrou, de repente, na estrada, vindo de um entrocamento com uma rua lateral. O outro motorista não me viu a tempo e bateu no lado esquerdo do meu carro. Eu também só o enxerguei no último minuto e não pude evitar o acidente.

Fiquei sentado no carro por um momento, aturdido. Percebendo que estava bem, saí do carro para avaliar os danos. Embora o carro estivesse bem amassado, não me incomodei muito com isso, porque o outro motorista tinha seguro e o relatório da polícia iria mostrar que o culpado era ele. Também me peguei pensando que, de qualquer modo, eu já queria pintar mesmo o carro.

driver-suffering-whiplash-traffic-collision-male-31864327Eu me sentia muito bem, quase eufórico. Estava feliz com o modo pelo qual passei do acidente para uma difícil reunião de negócios mais tarde naquele dia. Eu estava preparado para a reunião e lidei muito bem com ela.

No dia seguinte, comecei a me sentir agitado. Havia uma rigidez no meu pescoço, no ombro direito e no braço, e isso me surpreendeu, pois tinha sido atingido no lado esquerdo.”

(Levine, 1993, p.208)

Não tive nenhuma lesão séria…por que sinto dor?  

O episódio verídico acima, mencionado no livro O Despertar do Tigre (Peter Levine, Editora Summus Editorial), demonstra que, mesmo acidentes de baixa intensidade (sejam eles automobilísticos ou de outra natureza), nos quais não há lesões ou traumas físicos graves, podem gerar, em um curto espaço de tempo, dores musculares crônicas, ou um quadro de dor miofascial, nas vítimas envolvidas.

Há diversos relatos de pessoas que sofreram acidentes de pouco impacto que, após alguns dias ou semanas, passaram a se queixar de desconfortos como dores de cabeça, cefaléias, torcicolos, dores nas costas, lombalgias… sem nenhum motivo ou razão aparente. Casos de indivíduos que passam a ter dores terríveis depois de estarem sentados no carro, esperando o sinal abrir, quando outro carro chega e colide por trás, a velocidades de apenas 15, 20 quilômetros por hora.

Normalmente consulta-se profissionais médicos como ortopedistas, neurologistas ou fisiatras que, após algumas avaliações, indicam exames de Raio-X ou IRM (Ressonância Magnética) para auxiliar no diagnóstico. Porém, há casos em que estes exames não identificam nenhum tipo de lesão óssea e nem lesões nos ligamentos, tendões e músculos, os chamados tecidos moles.

Os exemplos acima levam a uma pergunta crucial: o que fez estas pessoas apresentarem sintomas característicos de dores musculoesqueléticas, sem que nenhuma lesão física tenha sido detectada nos acidentes citados?

Dores crônicas, sintomas traumáticos e energia

De acordo com a Experiência Somática, uma abordagem naturalista para a resolução e cura de distúrbios do estresse pós-traumático desenvolvida pelo biofísico norte-americano Peter Levine (clique aqui para ler um artigo do blog sobre a mesma), os sintomas de estresse traumático não são gerados exclusivamente pelo acidente desencadeador, e sim pelo resquício congelado de energia que não foi resolvido e descarregado apropriadamente. Entende-se como sintomas ‘traumáticos’ ocorrências emocionais como ansiedade, síndrome do pânico, problemas psicossomáticos, e também dores musculares crônicas e quadros miofasciais e álgicos como a fibromialgia, ciatalgia, entre tantos outros. Estes sinais fisiológicos são a forma que o corpo encontra para lidar e conter a energia retida.

Em outras palavras, são os recursos que a pessoa dispõe no momento para lidar com situações estressantes, sejam elas acidentes, assaltos, quedas, partos difíceis, cirurgias…eventos os quais seu organismo percebe como uma ameaça à vida, que determinarão os potenciais efeitos traumáticos em seu corpo e espírito. Em circunstâncias extremas, o corpo responde de uma tal maneira que toda a energia disponível será direcionada para uma ação defensiva, para garantir a própria sobrevivência. Se esta energia excedente não for liberada devidamente, persistirá no organismo, causando uma série de sintomas. Estes sintomas deixarão nosso sistema nervoso (SN) em um estado de ativação e alerta frequentes, mesmo quando não houver nenhum perigo mais por perto.

Cérebro ancestral  

Uns dos segredos para lidar e curar os sintomas traumáticos e as dores crônicas subsequentes está na percepção de nossa fisiologia e de suas reações instintivas. Por meio de estudos e pesquisas, descobriu-se que as partes primitivas do cérebro e sistema nervoso humano são bem semelhantes a de nossos irmãos mamíferos, e também dos répteis.

A teoria do cérebro trino, desenvolvida pelo neurocientista Paul MacLean, divide o cérebro humano em três segmentos:

  • Mamífero ou límbico (emocional) – controle do comportamento emocional, expansão dos sentimentos e emoções.
  • Humano ou Neocórtex (racional) – é o que diferencia o ser humano dos demais animais, responsável pelo pensamento abstrato, linguagem, tomada de decisões.
  • Reptiliano – parte instintiva e ancestral, relacionada a reações de sobrevivência (fuga, luta e congelamento).

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    Fig. 2 – O cérebro trino e suas 3 divisões

O dilema: fugir, lutar ou paralisar?  

O impasse começa aí: ao contrário dos animais selvagens, nós, humanos, temos dificuldade, muitas vezes, em encontrar uma saída adequada frente a situações ameaçadoras, eventos em que uma parte visceral nossa encara como uma experiência de aniquilamento. Isto ocorre, em grande parte, devido a tendência de nosso cérebro racional de sabotar e dominar os impulsos instintivos necessários:

“[…] embora frequentemente imobilizados diante da ameaça, os humanos raramente descarregam a energia de fuga/luta retida, talvez por causa dos centros cerebrais cognitivos altamente desenvolvidos, que tendem a suprimir muitos comportamentos instintivos ou por causa dos padrões culturais adquiridos (in SCAER, 2001. p.xxi).

Percebendo as sensações corporais –  sensopercepção 

Tudo em nossa vida que é considerado pelo sistema nervoso como ‘demais’, ‘além do limite’, nos sobrecarrega. Isto pode gerar em nosso organismo um mecanismo de alerta e hipervigilância constantes. Uma abordagem de consciência corporal, que trabalhe as sensações ‘sentidas’ (sensopercepção), pode orientar o cliente para que este desenvolva recursos internos para enfrentar situações de estresse e sobrecarga em seu dia a dia.

Felt Sense (Sensopercepção) não é uma percepção mental, mas sim corporal. É uma consciência corporal da pessoa, da situação ou do evento. É uma aura interna que inclui tudo que você sente e sabe sobre o assunto dado, num dado tempo – incluindo e comunicando a você tudo, detalhe por detalhe”. (citado em LEVINE, 1997.)

Wilhelm Reich, médico e psicanalista austríaco nascido no final do século XIX, utilizava o termo ‘auto-regulação’ ao invés de sensopercepção, que seria, de acordo com ele, “a capacidade do ser humano de ouvir sua própria natureza, estar em contato com suas próprias necessidades, permitindo que o organismo cumpra seu fluxo de carga e descarga das emoções, tensões e traumas”.

Ameaça e estresse / relaxamento e expansão – simpático vs parassimpático

Aprender a ‘escutar’ e conectar com nosso próprio corpo, utilizando a sensopercepção para lidar com sintomas traumáticos e dores crônicas, requer a compreensão de um fundamento básico: a relação entre o nosso sistema nervoso autônomo (SNA) com os instintos básicos de sobrevivência do cérebro reptiliano (fuga, luta e congelamento).

O SNA é o segmento de nosso sistema nervoso que está ligado ao controle da vida vegetativa, controlando funções como a respiração, circulação sanguínea, controle de temperatura e digestão.  Divide-se em duas partes:

1 – Sistema Nervoso Simpático – impulsiona ações que permitem ao organismo responder a situações de ameaça ou estresse, como as reações de fuga, luta e congelamento (provocadas pelo cérebro reptiliano). Ações e sintomas corporais associados:

  • Aceleração dos batimentos cardíacos (taquicardia);
  • Aumento da pressão arterial;
  • Aumento da frequência respiratória (respiração curta e superficial);
  • Sensação de ‘frio’ na barriga;
  • Sensação de urgência, hipervigilância;
  • Campo visual restrito;
  • Tensão muscular/compartimento (preparação para lutar, fugir ou paralisar).

2 – Sistema Nervoso Parassimpático –  responsável por perpetuar ações que permitem ao nosso corpo responder a situações de calma. Sintomas corporais relacionados:

  • Diminuição dos batimentos cardíacos;
  • Normalização da pressão arterial;
  • Diminuição da frequência respiratória (respiração pausada e profunda);
  • Sensação de calor no abdômen e nas extremidades do corpo (mãos e pés);
  • Visão periférica ampla;
  • Sensação de relaxamento (muscular), expansão.

    SN autônomo

    Fig. 3 – SNA Simpático/Parassimpático e suas funções

O rio e seus vórtices   

Levine faz uma analogia interessante ao comparar a sensopercepção em nosso corpo com um riacho, um rio que se move por uma paisagem em permanente transformação. Os redemoinhos presentes neste riacho seriam vórtices de dois tipos (figuras 4 e 5):

  • Vórtice de trauma: sensações de desconforto, estresse (sistema nervoso simpático);
  • Vórtice de cura: associado a sensações de relaxamento, prazer (sistema nervoso parassimpático).

    Vórtice de trauma

    Fig. 4 – O riacho de nossas experiências de vida interiores (energia vital) e o rompimento da margem (proteção) corporal – formação do vórtice de trauma

Vórtice de cura

Fig. 5 – O corpo reencontrando o equilíbrio – criação do (contra) vórtice de cura

Um organismo saudável seria exatamente isto: um córrego, ou correnteza que flui naturalmente do estado de ativação (simpático) para o de relaxamento (parassimpático). Em uma sessão que envolva trabalho de rastreamento corporal, com o intuito de ajudar alguém com dores crônicas, é necessário seguir alguns passos abaixo para se obter êxito:

Ache uma ‘âncora positiva’ em seu corpo  

Quando um copo d’água está cheio até a borda, qualquer gota a mais poderá fazer o mesmo extravasar. Com a dor crônica ou miofascial é a mesma coisa: qualquer pequeno estímulo pode aumentar ainda mais a tensão já existente. Por isto, no início do atendimento é importante ajudar a pessoa, por meio da sensopercepção, a perceber alguma parte do seu corpo que traga uma sensação de acolhimento, expansão ou de bem-estar. Quaisquer sensações parassimpáticas listadas anteriormente são bem-vindas: mãos ou os pés quentes, respiração profunda e calma… ou a lembrança de alguma atividade ou passatempo que a faça se sentir bem, desde que esta memória seja associada a alguma sensação corporal que ela esteja sentindo no momento.

Rastreie a dor, dentro de um limite suportável

Depois de orientar o cliente a saborear, alongar e permanecer com a sensação agradável (parassimpática) durante algum tempo, mude o foco para a dor, indagando: como ela está agora? É tolerável senti-la? Caso seja, ajude a rastrear e a ‘dissecar’ esta tensão: como é esta dor? Ela pulsa, lateja, queima? Se estiver insuportável, volte a atenção novamente para alguma sensação de relaxamento e expansão do corpo. Este vai e vem entre o vórtice de cura e o vórtice de trauma tende a reequilibrar o organismo.

Fique atento aos micro-movimentos  

Quando uma parte de nosso corpo se encontra no estado simpático, ou seja, de ativação, estresse, sensação de aperto, dor, etc…uma das maneiras fisiológicas que a energia oriunda desta tensão crônica encontra para se dissipar é por meio de micro-movimentos sutis, que fazem parte de uma classe de sensações chamadas de sentidos autonômicos e cinestésicos:

  • Sentido autonômico: tremores e movimentos involuntários; movimentos oculares; micro-movimentos com a cabeça (buscando reorientação);
  • Sentido cinestésico: contrações/tensão muscular.

“Nosso corpo é a inscrição viva do nosso percurso existencial”

(Aldrighi, 2014, p.64)

Trabalhos corporais e Terapia por Massagem

Nos EUA é comum a associação de terapias e trabalhos corporais, tais como a Experiência Somática, com técnicas como Deep Tissue Massage (Massagem em tecido profundo) e Rolfing. Outras abordagens como a Psicologia e Massagem Biodinâmica de Gerda Boyesen e a Bionergética de Alexander Lowen – todas elas evoluções dos trabalhos corporais de Wilhelm Reich – reconhecem que não existe separação entre mente e corpo, sendo o corpo o local onde questões psíquicas, traumáticas e emocionais podem ser acessadas.  

A massagem pode se tonar uma porta de entrada para o alivio e resolução de dores crônicas, tendo ciência que estes sintomas podem ser somatizações não apenas de fatores mecânicos e posturais, mas também de conteúdos psicológicos. De acordo com os trabalhos corporais citados, o corpo, por carregar todo nosso histórico de vida psíquico e emocional, acaba sendo moldado, estruturalmente, por estes aspectos internos. Sendo assim, tensões crônicas, desvios posturais, encurtamentos musculares, entre outras moléstias, são  a maneira que nosso inconsciente/subconsciente encontra para projetar e somatizar seus conflitos.

Cada vez mais médicos e outros profissionais de saúde reconhecem que boa parte das patologias do corpo físico possuem um componente emocional que não pode ser ignorado. No caso das doenças músculoesqueléticas, ou simplesmente dores crônicas ou miofasciais, talvez esta somatização emocional-corporal seja ainda mais evidente.

SICAS

Em um próximo artigo será detalhada a maneira como alguns itens da percepção corporal se associam, em relação as experiências vividas e ao meio ambiente: sensação, imagem, comportamento, afeto e significado (Sicas).

“A mente esquece, mas o corpo, felizmente, não”.

(Freud).

O que você achou deste texto? Também concorda que abordagens corporais podem ser associadas à massagem e outras terapias no tratamento de dores crônicas? Deixe seu comentário a respeito.

Caso queira ler outros artigos deste blog, clique nos links abaixo:

 Rogério Neves

Referências e fotos.

Massagem, dores crônicas e a consciência de si (Parte II)

   Nesta segunda parte serão mencionados outros aspectos fisiológicos e somáticos do estresse e das dores musculares e miofasciais, formas de tratamento por meio de técnicas da massoterapia e  uma introdução sobre trabalhos corporais que podem ser associados as mesmas.

Diz um ditado japonês, oriundo de uma arte marcial chamada Aikidô, que o relaxamento é o elixir da vida. Já o estado oposto e antinatural que muitos seres humanos se encontram é a tensão nervosa ou estresse crônico. De acordo com o mesmo provérbio, o estresse contrai os vasos sanguíneos, dificultando a expulsão das impurezas do corpo, nos tornando, desta maneira,
suscetíveis a muitas doenças.

Entre as patologias associadas ao estresse, as dores musculoesqueléticas (ou simplesmente dores musculares) são uma das mais corriqueiras, servindo como porta de entrada a outras tantas enfermidades. Mas como se define a dor, em termos gerais, e como classificar as suas variadas vertentes?

“O estresse nos prepara para ‘lutar ou fugir’, mas não lutamos nem fugimos: apenas ficamos tensos e preparados. Nós nos blindamos, nos defendemos e nunca relaxamos”.
Trecho da apresentação de Douglas C. Lewis, do livro Guia Prático: Disfunções Musculoesqueléticas, de Leon Chaitow.

Dor… o que é?

Um interessante debate a respeito deste tema pode ser encontrado em um artigo nomeado Basic Concepts in Pain Physiology (Conceitos básicos sobre a fisiologia da dor), escrito pela American Medical Massage Association (AMMA) no site http://www.americanmedicalmassage.com. De acordo com este artigo, fundamentado na terminologia da dor sistematizada e desenvolvida pela International Association for the Study of Pain (Associação Internacional para o Estudo da Dor), a dor é uma experiência psicológica resultante de um estímulo fisico. Em outras palavras, a dor é uma emoção expressa por uma sensação.

Tipos de Dor

Segundo a Associação Internacional para o Estudo da Dor, existem quatro tipos de dor:

  1. Neurológica;
  2. Química;
  3. Emocional;
  4. Miofascial.

Neste artigo serão tratados alguns tópicos das duas últimas condições ( dor emocional e miofascial), visto que são as que mais predominam em atendimentos nos consultórios e salas de massoterapeutas e terapeutas corporais diversos.

Chaitow, dor miofascial e pontos-gatilho

A dor miofascial também é conhecida como dor do tecido mole (veja definição) ou somática. Ela é uma consequência do espasmo muscular ou da distensão do tecido mole. Existem duas maneiras em que a mesma se manifesta: isquemia e dor resultante de ponto-gatilho (ambos os casos, tratados de forma eficiente pela massoterapia).

De acordo com Leon Chaitow, osteopata britânico e um dos ícones da massagem científica (figura

Leon Chaitow (http://leonchaitow.com/)

Figura 2: Leon Chaitow
(http://leonchaitow.com/)

2), quando os músculos se tornam tensos em virtude de esforços extremos, utilização incorreta, maus hábitos posturais (etc.), tendem a desenvolver regiões específicas que se tornam extremamente sensíveis e irritadiças. Essas áreas (ou pontos) são conhecidas como pontos-gatilho (trigger points), que se tornam doloridos à palpação e irradiam dor para tecidos distantes. Estes pontos, segundo pesquisadores, estão envolvidos em muitos casos de dores crônicas musculares e sintomas decorrentes, sendo, em algumas situações, a causa principal destes.

Técnica neuromuscular: compressão terapêutica ou isquêmica?

Técnica de compressão terapêutica com os polegares para desativação de ponto-gatilho no trapézio superior.

Figura 3 – Técnica de compressão terapêutica com os polegares para desativação de ponto-gatilho no trapézio superior.

Dentro da massoterapia há diversas técnicas de liberação neuromuscular que ajudam a reduzir ou atenuar padrões de tensão muscular, câimbras e pontos dolorosos existentes.

A musculatura do trapézio superior, por exemplo, é uma área que, devido a fatores biomecânicos e posturais (citados anteriormente), costuma acumular muita tensão e, consequentemente, desenvolver alguns pontos-gatilho. Uma maneira de tratá-los é utilizar uma técnica neuromuscular conhecida como compressão terapêutica direta ou pressão inibitória com os polegares (veja figura 3). Antigamente esta técnica era chamada de compressão ‘isquêmica’, porém denominá-la terapêutica é mais adequado, pois é aconselhável que a pressão utilizada com o polegar não ultrapasse a tolerância de dor do cliente.

Pontos-gatilho no trapézio superior podem também estar ativos e doloridos como consequência de uma tensão existente nos músculos peitorais. Além disso, trigger points neste músculo (trapézio) costumam irradiar dor para as têmporas e para o músculo occipital (base da nuca), causando muitas vezes a chamada ‘cefaléia tensional’.

Técnicas miofasciais para encurtamentos musculares

Várias técnicas miofasciais também podem ser utilizadas para aliviar restrições musculares e miofasciais. Lembrando que qualquer técnica destinada a alongar a fáscia (seja ela superficial ou profunda, localizada ou de plano amplo) será considerada uma técnica miofascial.

Um exemplo de técnica miofascial – localizada e profunda – para trabalhar tensões nas musculaturas do trapézio superior, levantador da escápula e cervicais posteriores é o rolamento muscular, uma forma mais profunda e tridimensional do rolamento de pele (figura 4).

Rolamento muscular para as musculaturas do trapézio, levantador da escápula e cervical posterior)

Figura 4 – Rolamento muscular para as musculaturas do trapézio, levantador da escápula e cervical posterior)

O objetivo desta manobra é de agarrar uma porção completa de um músculo, de forma que a mesma role entre os dedos do terapeuta, movendo as fibras para separar o tecido adjacente. Ao se separar estas fibras musculares de maneira branda, é possível identificar áreas com restrição miofascial, bem como localizar pontos-gatilho que, a partir daí, podem ser trabalhados por uma técnica neuromuscular adequada (como a compressão terapêutica direta – figura 3).

No vídeo abaixo, do canal Myofascial Release Massage (Youtube), o terapeuta aplica uma técnica miofascial de plano amplo para a musculatura do trapézio e latíssimo do dorso:

Rastreando sensações simpáticas e parassimpáticas: o corpo como agente de cura

O tópico acima será um dos temas do próximo artigo (3a parte). Nele, serão mencionadas algumas abordagens de percepção corporal (sensopercepção) que complementam e auxiliam de maneira eficaz as sensações fisiológicas de relaxamento que uma sessão de massagem traz. Perceba se o seu cliente, durante o atendimento, está apresentando sintomas associados a situações de ameaça e estresse (simpático), ou sensações de relaxamento e expansão (parassimpático). A partir daí, ajude-o a rastrear estes sinais, com o objetivo de reduzir as tensões musculares e de fazê-lo reencontrar o equilíbrio.

Dúvidas, críticas, sugestões ou comentários sobre o texto acima? Poste sua opinião a respeito.

Rogério Neves.

Referências e fotos.

  • ARCHER, Patricia A. Massagem Terapêutica Esportiva. Barueri, SP: Manole, 2008. 317 p.
  • CHAITOW, Leon. Guia Prático: Disfunções Musculoesqueléticas. Manutenção da Flexibilidade e do Equilíbrio. Barueri, SP: Manole, 2008. 182 p.
  • LEVINE, Peter A. O Despertar do Tigre: Curando o Trauma. São Paulo: Summus, 1999. 238 p.
  • STEPHENS, Ralph R. Massagem Terapêutica na Cadeira. Barueri, SP: Manole, 2008. 262 p.
  • http://leonchaitow.com/
  • Myofascial Release Massage: https://www.youtube.com/watch?v=b2Q4-FUb1x4
  • http://www.americanmedicalmassage.com/

  

Massagem, dores crônicas e a consciência de si (Parte I)

Técnicas de massoterapia, mescladas com trabalhos de consciência corporal, podem ser importantes aliadas não apenas em relação ao alívio das tensões musculares, mas também em um processo de autoconhecimento pessoal. Nesta 1a parte serão abordados alguns fatores psicossomáticos das dores crônicas.

Nos consultórios de massoterapeutas, fisioterapeutas e terapeutas corporais diversos, queixas sobre dores representam a quase totalidade dos atendimentos. Dores nos ombros, lombalgias, avaliação posturaltorcicolos, restrições musculares entre as escápulas fazem parte do dia a dia da clientela destes profissionais. Em muitos casos, essas tensões são atribuídas a fatores essencialmente mecânicos:
ergonomia física disfuncional no ambiente de trabalho, hábitos posturais nocivos, movimentos repetitivos, entre outros. Entretanto, existem outros aspectos subjetivos e internos em cada um de nós que possuem um papel fundamental na origem e perpetuação de padrões de tensão muscular, padrões estes provenientes de desequilíbrios em nosso organismo.

Reich e o fluxo da energia vital

Wilhelm Reich, médico e psicanalista austríaco nascido no final do século XIX (1897-1957), foi discípulo de Sigmund Freud, criador da psicanálise moderna. Reich revolucionou a psicologia contemporânea na época ao afirmar que as neuroses e os problemas psíquicos não se manifestam apenas na mente (como durante muito tempo se acreditou e ainda se acredita em algumas correntes), mas em todo o corpo.

Wilhelm_Reich_in_his_mid-twentiesDe acordo com Reich, nossos pensamentos, sentimentos (e, consequentemente, comportamentos) afetam diretamente nossa estrutura corporal, respiração e postura física. Uma pessoa que passou por uma perda traumática (por exemplo) e não consegue lidar com o luto e o sentimento de tristeza, com o passar do tempo terá a sua energia vital comprometida, principalmente na região do tórax. Sua respiração tenderá a ser curta e superficial, como meio de camuflar a raiva ou tristeza internalizada.

Esta energia corporal (chamada de bioenergia ou energia orgônica por Reich) possui vários nomes, a depender da cultura local. No Japão, é chamada de Ki; na China (Qi ou Chi); na Índia (Prana). O bloqueio deste fluxo energético acaba restringindo a circulação do mesmo de forma uniforme em todo o corpo, resultando em uma série de males fisiológicos: problemas circulatórios e linfáticos, pressão arterial alta, taquicardias, tendinites, entre outros… além de tensões crônicas que acabam desenvolvendo as chamadas ‘couraças musculares’.

Couraça muscular, emoções e respiração

Couraça Muscular, segundo Reich, é uma corporificação das características comportamentais e emocionais de um indivíduo que, com o passar do tempo, vão se cristalizando e modulando sua estrutura muscular e corporal. São tensões e encurtamentos musculares que vão se formando mediante a circulação precária da energia vital e circulatória, e por crenças e questões emocionais como medo, raiva, tristeza… além de bloqueios neuróticos diversos.

As tensões musculares crônicas, para Reich, são defesas psicossomáticas que se manifestam em
nosso corpo e impedem o fluxo da energia, limitando a vivência de emoções fopainrtes e suprimindo a espontaneidade e a livre expressão de sentimentos. Os bebês e as crianças pequenas
são naturalmente espontâneos e felizes. Não ficam com receio de demonstrar quando estão alegres, tristes ou com fome. Essa fluidez do livre expressar se reflete no corpo delas, que é normalmente vibrante, flexível, moldável e livre de tensões. Elas respiram de forma correta pelo diafragma, ao contrário de boa parte dos adultos, que concentram a respiração no tórax.

Com o passar do tempo, mediante as pressões paraentais (familiares) e da sociedade em si, muitas vezes repressora e neurótica, os hábitos espontâneos infantis vão sendo substituídos por comportamentos habituais, condicionados e repetitivos. Tudo isto têm um preço: umas das consequências dessa perda de autonomia afetiva, mais a consciência do próprio corpo obtida na tenra infância são o surgimento das contrações ou couraças musculares, que surgirão em diferentes partes do corpo a depender do histórico de vida de cada indivíduo.

Massagem, consciência corporal e sensações parassimpáticas

A massoterapia e terapia manipulativa é uma eficiente maneira de trabalhar e aliviar padrões de tensão e de espasmo muscular, principalmente quando são utilizadas técnicas de origem miofascial e neuromuscular que ajudem a alongar e a flexibilizar a fáscia muscular que esteja encurtada.

myofascial-release2Ao final de uma sessão de massagem, normalmente o cliente apresentará sinais fisiológicos de ‘relaxamento’ que, em termos técnicos, são características do sistema nervoso autônomo parassimpático. Algumas estão listadas abaixo:

  • Respiração lenta e profunda;
  • Extremidades do corpo quentes (principalmente abdômen, mãos e pés);
  • Sensação de sono e relaxamento;
  • Frequência cardíaca lenta, pressão arterial normal;.
  • Ausência de tensão muscular… entre outros.

Todos os ‘ingredientes’ acima são um convite para que se faça um trabalho de consciência corporal a partir daí, por meio do rastreamento e percepção das sensações fisiológicas, além de exercícios de respiração. Tudo isto, claro, com a permissão do cliente.

O corpo é a chave de tudo

A mente e o ego são comprovadamente limitados para assimilar todo o estresse e as dores físicas e psíquicas que o mesmo pode ocasionar. Assimilá-los pelo corpo, por meio da sensopercepção de seus instintos e respostas básicas, é o segredo de tudo.

No próximo capítulo deste texto (parte 2) serão abordadas com mais detalhes algumas técnicas para trabalhar padrões de tensão muscular e afrouxamento da fáscia, como perceber e rastrear as respostas fisiológicas do cliente (simpático x parassimpático), o que é sensopercepção; relacionar tipos de emoções com segmentos corporais… e questões terapêuticas afins.

Dúvidas ou críticas sobre o texto acima? Ou alguma sugestão para o próximo? Deixe o seu comentário.

Rogério Neves.

Referências.

 

 

 

 

Terapia por Massagem – tratamento de pontos gatilhos (vídeo)

Como aliviar os pontos gatilhos (nódulos de tensão) da musculatura do trapézio superior com a técnica de compressão isquêmica (ou dígito-pressão com o polegar).

O que causa isto?

Para Ruth Werner, autora do livro Guia de Patologia para Massoterapeutas (2005), os pontos de má posturagatilho são formados em áreas que sofrem quantidades microscópicas de traumatismo em virtude de hábitos posturais, de uma ergonomia precária e de uma movimentação repetitiva. Os pontos de gatilho podem ser também uma complicação de tipos mais padronizados de lesões, quando a pessoa se acomoda à dor e/ou à amplitude limitada de movimento que poderia ser o resultado de um acidente de automóvel, de uma lesão esportiva ou de qualquer outro tipo de dano.

Vários fatores perpetuantes podem fazer com que o ponto-gatilho se reative, segundo Patricia Archer (Massagem Terapêutica Esportiva, 2008), entre eles tratamento inicial incompleto, má nutrição, estresses ocupacionais, doença hipometabólica, desequilíbrios estruturais e problemas psicológicos ou emocionais.

Como tratar

Repare que no vídeo abaixo o terapeuta, ao pressionar um ponto dolorido específico com o polegar, causa uma dor irradiada nas têmporas, na região occipital (parte de trás da nuca) e no maxilar. Muitas cefaléias do tipo tensionais são decorrentes deste estresse muscular, além de outros fatores:

A compressão isquêmica é um método bastante utilizado para o alívio de nódulos de tensão presentes na musculatura que, neste caso, tendem a irradiar dor para regiões distantes.

Nessa técnica, de acordo com Ralph Stephens, autor do livro Massagem Terapêutica na Cadeira   (Editora Manole, 2008), pressiona-se um ponto específico do corpo e mantém-se a pressão por um certo período (por volta de 8 a 12 segundos). Geralmente é realizada com o polegar ou o dedo (por isso o termo “pressão digital”). Entretanto, a pressão pode ser aplicada também com o cotovelo, com a mão fechada de modo relaxado, com a junta dos dedos ou com a eminência tenar. Este procedimento expulsa os fluidos da área sem interferências, causando uma isquemia temporária (por isso o termo “compressão isquêmica”) e abrindo as fibras. O corpo reage a esse movimento enviando mais sangue para a área e causando uma hiperemia reativa (veja definição) na medida em que a pressão é liberada, o que traz oxigênio e nutrientes para a área comprimida e remove os produtos de resíduos metabólicos.

Ao final, alongar o pescoço de forma passiva (com o auxílio do terapeuta) em todas as direções possíveis ajuda a soltar a musculatura e a recuperar a amplitude de movimento original, caso o cliente, em virtude dos nódulos de tensão, esteja com a mobilidade do pescoço restrita.

Dúvidas ou sugestões sobre o texto acima? Deixe o seu comentário.

                                                                                            Rogério Neves

Referências.

  • ARCHER, Patricia A. Massagem Terapêutica Esportiva. Barueri, SP: Manole, 2008. 317 p.
  • STEPHENS, Ralph R. Massagem Terapêutica na Cadeira. Barueri, SP: Manole, 2008. 262 p.
  • Upper Traps Trigger Point – Massage Therapy Lesson, 2007. Disponível em: <http://www.rmtstudents.com//> Acesso em julho de 2015.
  • WERNER, Ruth. Guia de Patologia para Massoterapeutas. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2005. 648 p.

 

 

A eficácia da massagem e terapia manipulativa no tratamento da fascite plantar

Entenda como a massoterapia pode ter um papel fundamental no tratamento desta condição inflamatória, muito comum em atletas e corredores

blog-350-300-planarAo apoiar os pés no chão, logo nos primeiros minutos da manhã, você sente uma dor aguda e lancinante na superfície plantar dos mesmos. Com o passar do dia, esta dor até diminui ou praticamente desaparece, porém retorna ao final do expediente no escritório, após ficar horas sentado em uma cadeira. Uma das hipóteses prováveis é que você esteja acometido pela fascite plantar (veja wikipédia).

Definição

A fascite plantar se caracteriza por uma dor e inflamação ocasionadas por lesões da fáscia plantar do pé. A dor concentra-se principalmente na frente do calcanhar e tende a se tornar aguda após um grande período de imobilidade, esteja o indivíduo em pé ou sentado. Geralmente as radiografias e ressonâncias magnéticas demonstram que se formou um esporão ósseo na inserção do calcâneo anterior.

Não é exclusiva de atletas

É uma condição que afeta geralmente os adultos, principalmente homens e mulheres acima dos 45 anos. De acordo com Ruth Werner, autora do livro Guia de Patologia para Massoterapeutas (A Massage Therapist’s Guide to Pathology), cerca de 10% de todos os corredores sofrem ou sofrerão de fascite plantar no decorrer de suas carreiras. Porém,  ao contrário do que muitos pensam, não é uma patologia que incide somente em atletas e corredores; muitos indivíduos sedentários são suscetíveis a ela. Já crianças, por terem a fáscia plantar bastante elástica, são mais difíceis de serem acometidas por tal inflamação.

Porquê ocorre?

São variadas as causas da fascite plantar. As principais são:

  • Sobrepeso.
  • Músculos da panturilha (gastrocnêmio e sóleo) retraídos ou enrijecidos.
  • Aponeurose plantar enrijecida e inflexível.
  • Pés planos ou pronados.
  • A fascite pode ser uma consequência secundária de distúrbios como a gota ou artrite reumatóide.
  • Uso excessivo e repetitivo (correr demasiadamente, permanecer de pé por muito tempo em superfícies duras, entre outros) que acarrete em um estresse aos pés.

Principais sinais e sintomas

  • Dor mais intensa e aguda nas primeiras passadas da manhã, após acordar;
  • No decorrer do dia, a dor atenua ou desaparece completamente. Entretanto, a mesma retorna quando a pessoa permanece em uma posição ereta por muito tempo, seja sentado, caminhando ou correndo;
  • Uma sensação de ‘esmagamento’ na superfície plantar e, principalmente, na região do calcâneo anterior e no arco do pé.

Como tratar?

Um princípio comum entre as diversas formas de tratamento da fascite é de diminuir as tensões responsáveis por novas lesões na superfície plantar logo na parte da manhã, nos primeiros momentos em que os pés encostam no chão. Algumas abordagens de prevenção conhecidas são:

  • Aquecer e massagear as solas dos pés e os músculos da panturrilha (gastrocnêmio e sóleo) antes de apoiá-los no chão, ao acordar;
  • Utilizar palminhas ortopédicas e de silicone nos calçados para impedir que os pés fiquem em dorsiflexão (movimento em que o dorso e os dedos do pé se aproximam da perna);
  • Uso de uma tala noturna para alongar e manter a fáscia plantar em uma ‘ligeira’ posição de dorsiflexão;
  • Outra dica para manter a aponeurose plantar flexível é rolar uma bola de tênis ou um massageador na sola dos pés várias vezes ao dia. Uma garrafa de água congelada, ou lata de refrigerante/cerveja servem para o mesmo fim.

Tratamento pela massagem

A terapia manual ou massagem é extremamente indicada no tratamento da fascite plantar. Várias manobras podem ser utilizadas para ‘soltar’ e flexibilizar os músculos da panturrilha (que se encontram encurtados neste tipo de condição), musculatura esta que, por estar ligada ao tendão de aquiles (ou calcâneo), exerce tração sobre a superfície plantar. Alguma das manobras recomendadas:

  • Pétrissage (ou amassamento compressivo): nesta técnica, as mãos são posicionadas em lados
    petrissage calves

    Amassamento compressivo (Figura 2)

    opostos para levantar a massa muscular para longe do osso (figura 2).

  • Fricção: é uma manobra no qual o tecido é comprimido e alongado. A base da mão, cotovelos, punhos ou polegares podem ser usados para realizá-la.

Trabalhando a sola do pé

É de suma importância alongar o tecido denso da sola do pé. Para tal, o terapeuta pode utilizar os seguintes recursos:

  • Usar as articulações (falanges) dos dedos da mão para alongar a fáscia plantar desde a base do calcâneo até a
    Sem título

    Art Riggs – Técnicas de Massagem Profunda (figura 3)

    região plantar medial (figura 3). A mão que estiver livre é utilizada para flexionar o tornozelo e os dedos do pé, propiciando, assim, um alongamento mais amplo. Recomenda-se não usar emolientes (óleos ou cremes) em excesso durante esta manobra.

  • Acupressão ou dígito-pressão: pressão intermitente com os polegares nos pontos de tensão da fáscia plantar (figura 4).
  • Outro fator primordial é de sempre respeitar a tolerância de dor de seu cliente, ainda mais em uma condição inflamatória delicada como esta em que o tempo de recuperação é comprovadamente lento, geralmente de 10 até 12 semanas.

    Sem título2

    Massagem Terapêutica Esportiva – Pat Archer (Dígito-pressão – Figura 4)

Crioterapia e alongamentos

Um procedimento utilizado por muitos terapeutas, ao final deste tipo de sessão, é de aplicar gelo no local. Uma recomendação fundamental, porém, é de alongar bastante a musculatura da panturillha e, também, de ensinar a seu cliente uma rotina de alongamentos que trabalhe não apenas a região do tornozelo, mas toda a parte posterior das pernas e dos quadris, a fim de evitar que este tipo de lesão retorne.

E você, já teve este tipo de inflamação nos pés?

Deixe suas dúvidas e comentários no blog.

Rogério Neves

Referências e Fotos.

Torcicolo: saiba como a massoterapia pode ajudá-lo no alívio deste transtorno

TorcicoloVocê acorda logo pela manhã e, ao tentar levantar, sente aquela ‘fisgada’ no pescoço, que acaba lhe impedindo de movimentá-lo em qualquer direção devido a tamanha rigidez que se instaurou. Pronto: apareceu a condição popularmente conhecida como torcicolo.

O que é?

Torcicolo é um termo usual para qualquer condição que trava a cabeça (de maneira inclinada) para um dos lados. Um espasmo muscular, que pode ser unilateral ou não, faz com que o pescoço fique fixo em uma posição de rotação ou flexão.

Principais Sintomas

  • Limitação dos movimentos (flexão e rotação da cabeça).
  • Dor no pescoço, que pode irradiar para os ombros e/ou costas.
  • Espasmos musculares constantes ou periódicos.
  • Em alguns casos, inchaço provocado pelos nódulos musculares (pontos-gatilhos ou de tensão).

Tipos conhecidos

O torcicolo pode ser um incômodo simples de ser resolvido, se for decorrente apenas de uma má postura da região cervical ao dormir, ou então ser um sintoma de uma condição bem mais crônica e severa. Vejam os principais tipos:

  • Torcicolo congênito.
  • Torcicolo infantil.
  • Torcicolo espasmódico.
  • Torcicolo simples (Wry Neck em inglês).
  • Torcicolo reumático.

Tratamento pela massagem

Saber localizar – Um massoterapeuta ou terapeuta corporal habilitado deve possuir o recurso de localizar e palpar os músculos espasmódicos que, muitas vezes, são a causa principal da imobilidade e rigidez ocasionada pelo torcicolo. Geralmente grandes músculos superficiais como o trapézio, o levantador da escápula e o esternocleidomastóideo estão acometidos com nódulos musculares neste tipo de condição. Estes nódulos podem ser caracterizados como pontos-gatilho (trigger points), ou pontos sensíveis (tender points).

Aliviar os pontos sensíveis ou de tensão – Com a pessoa deitada na maca de barriga para cima (em decúbito dorsal), é possível trabalhar bem a musculatura geral do pescoço e dos ombros com movimentos de amassamento e rolamento e, em seguida, fazer um trabalho específico para dissolver os pontos de tensão presentes na musculatura.Torcicolo2

O terapeuta, ao localizar o nódulo muscular, deve manter uma pressão intermitente no local por meio do polegar, sempre indagando ao cliente qual a sensação que ele está tendo (se a dor está aliviando, aumentando ou se não há nenhuma alteração). Um dado importante é nunca exercer uma pressão que seja intolerável para a pessoa. Em outras palavras: respeitar o limite de dor do próximo.

Estes nódulos musculares (pontos de dor) presentes na região do pescoço e do trapézio possuem uma localização semelhante aos dos pontos de acupressão do Shiatsu (e da acupuntura), e a forma de tratá-los é bem parecida.

Alongamentos – Ao final da sessão, é de extrema importância fazer alongamentos passivos (com o auxílio do terapeuta) em todas as direções possíveis para aumentar a amplitude de movimento (ADM) do pescoço, aliviando as restrições musculares existentes. Um leve trabalho de conscientização corporal também é bem vindo ao término do atendimento.

Tem alguma dúvida ou outra sugestão para o tratamento desta patologia? Acompanhe o blog e deixe seus comentários.

Rogério Neves

O seu corpo – essa casa onde você não mora*

599324_45788168*Capítulo do livro O Corpo tem suas Razões, de Carol Bernstein e Thérèse Bertherat.

“Neste instante, esteja você onde estiver, há uma casa com o seu nome. Você é o único proprietário, mas faz tempo que perdeu as chaves. Por isso, fica de fora, só vendo a fachada. Não chega a morar nela. Essa casa, teto que abriga suas mais recônditas e reprimidas lembranças, é o seu corpo.

‘Se as paredes ouvissem…’ Na casa que é o seu corpo, elas ouvem. As paredes que tudo ouviram e nada esqueceram são os músculos. Na rigidez, crispação, fraqueza e dores dos músculos das costas, pescoço, diafragma, coração e também do rosto e do sexo, está escrita toda a sua história, do nascimento até hoje.

Sem perceber, desde os primeiros meses de vida, você reagiu a pressões familiares, sociais, morais. ‘Ande assim. Não se mexa. Tire a mão daí. Fique quieto. Faça alguma coisa. Vá depressa. Onde vai você com tanta pressa…?” Atrapalhado, você dobrou-se como pôde. Para conformar-se, você se deformou. Seu corpo de verdade – harmonioso, dinâmico e feliz por natureza – foi sendo substituído por um corpo estranho que você aceita com dificuldade, que, no fundo, você rejeita.

É a vida, diz você; não há outra saída. Respondo-lhe que você pode fazer algo para mudar e que só você pode fazer isso. Não é tarde demais. Nunca é tarde demais para liberar-se da programação de seu passado, para assumir o próprio corpo, para descobrir possibilidades até então inéditas.”

O trecho acima evidencia de maneira interessante e realista a percepção que muitas pessoas têm de seu próprio corpo. Pode ser uma sensação de não pertencer a ele, como se a mente e o ego estivessem morando em uma casa estranha. Esta ‘estranheza’ geralmente se manifesta em pensamentos e sentimentos contraditórios em relação a si próprio.

Dores e inadequação

As tensões musculares e seus sintomas decorrentes são outras formas usuais em que esta ‘inadequação’ frente ao próprio corpo se manifesta. Dores na coluna, lombalgias, dores de cabeça, dor no nervo ciático (entre tantas outras) são evidências de que alguma coisa em nós está fora do lugar, precisando de algum tipo de ajuste.

Consciência corporal e okeidade

A massoterapia, por meio de variadas manobras existentes nas massagens terapêuticas e somadas a alongamentos (por exemplo), pode reduzir de maneira significativa os encurtamentos e tensões musculares existentes. Um trabalho de consciência corporal, como a experiência somática, yoga e etc, é um excelente complemento a terapia corporal, pois reforça e prolonga a sensação de presença e relaxamento que a massagem bem sucedida traz.

Ao tomar consciência novamente de si (em outras palavras, de seu corpo), percebendo como está sua respiração, sensação de peso corporal e outros sinais de bem estar fisiológicos, o cliente pode ser orientado a experimentar este sentimento de ‘okeidade’ (estar bem consigo mesmo) em outras situações do seu dia-a-dia.

Rogério Neves.

Esteja Preparado

De Christian Bond (acesse o link original em inglêsimage-full).

A Terapia por Massagem (ou massagem terapêutica) pode ajudar os clientes no alívio de uma série de patologias, desde a artrite até as variadas dores crônicas.

Ajudar as pessoas a lidar com estas enfermidades, entretanto, requer que o terapeuta não apenas entenda o estado de saúde dos clientes e seus sintomas decorrentes, mas também quais ajustes serão necessários na sessão de massagem e em sua sala de atendimento. A seguir estão algumas dicas importantes.

Massagem e dor crônica.

Mais e mais pesquisas estão confirmando os benefícios que a massagem terapêutica oferece às pessoas que lidam com dores crônicas, sejam elas consequência de alguma lesão ou sintomas de outra causa. Alguns clientes que procuram o massoterapeuta para ajudá-los a aliviar a dor por indicação de seu médico, entretanto, podem necessitar que você (profissional) faça algumas adaptações em sua maneira de atender, principalmente para pessoas que possuem Fibromialgia (veja wikipédia), dores crônicas miofasciais, artrite, entre outras patologias músculo-esqueléticas.

Fibromialgia e Síndrome da Dor Miofascial.

Segundo a Associação Nacional de Pesquisa sobre Fibromialgia (National Fibromyalgia Research Association – EUA), mais de 6 milhões de norte-americanos sofrem desta doença – 90% dos quais são mulheres. A Fibromialgia é frequentemente caracterizada por uma dormência (formigamento) na parte superior e inferior do corpo, rigidez articular, além de dores músculo-esqueléticas generalizadas. A condição é diagnosticada quando 11 de 18 pontos de tensão são dolorosos ao toque, sendo que alguns clientes podem apresentar outros sintomas, incluindo dores de cabeça, ansiedade, depressão e sensibilidade à estimulações externas como luz, sons/ruídos altos e odores fortes.

A Dor Crônica Miofascial, ou Síndrome da Dor Miofascial (SDM), normalmente ocorre quando um músculo é contraído de forma contínua, muitas vezes devido a movimentos repetitivos (típicos no ambiente de trabalho ou em algum hobby) ou tensão muscular relacionada ao estresse. Quem a possui costuma ter uma profunda sensação de dor muscular, e pode apresentar dificuldades para dormir. Ao contrário da Fibromialgia, a SDM tende a atingir, igualmente, ambos os sexos.

Artrite.

A artrite é caracterizada por uma inflamação que ocorre em uma ou mais articulações. Os sintomas mais comuns são a dor e a rigidez. Existem mais de 100 diferentes tipos de artrite, de modo que entender individualmente a dor de seu cliente é essencial.

Adaptando o atendimento na sessão de massagem.

Variados clientes lidam com a dor crônica de diferentes maneiras. Alguns podem ter rotinas próprias de cuidados e prevenções que, por exemplo, mantêm a dor sobre controle entre o intervalo de uma sessão de massagem terapêutica e outra. Ou, talvez, os mesmos estejam trabalhando com outros profissionais de saúde diferentes formas de lidar com a dor crônica e seus sintomas decorrentes. Além disto, todos os clientes irão perceber sua dor de maneira subjetiva. Em outras palavras, “minha dor não é a mesma que a sua, e muito menos de outra pessoa”.

Com estes fatos em mente, pense nas seguintes considerações abaixo quando for agendar atendimentos com clientes que estão lhe procurando para ajudá-los a lidar melhor com a própria dor.

Acessibilidade

Tente imaginar o seu trabalho do ponto de vista de alguém cuja dor esteja limitando a sua mobilidade a ponto de ter dificuldade de segurar uma caneta. Qual a facilidade que o cliente dispõe de entrar no seu espaço? A entrada de sua sala possui escadas e espaço suficiente para um cadeirante com sua cadeira de rodas ou para alguém entrar com um andador? Reflita, também, sobre clientes cuja artrite pode dificultar o preenchimento de uma ficha de anamnese (avaliação), ou os quais a dor possam impedi-los de subir e deitar em uma maca. Existem alternativas na sua sala para tais situações (uma cadeira de massagem, por exemplo, para clientes que não conseguem deitar em uma maca)?

Boa Comunicação

Sabemos a importância de uma boa capacidade verbal e intuitiva, mas quando se está lidando com pessoas que estão com dor crônica, essas habilidades são fundamentais. O terapeuta necessita de perceber o quanto de pressão é necessária em uma manobra de massagem, e, também, de intuir quando o cliente deseja que o profissional utilize uma pressão miofascial mais intensa ou quando quer que seja mais branda. Uma comunicação clara também ajudará em descobrir quais técnicas e manobras são mais efetivas ou não para cada caso. Além disto, para clientes com fibromialgia (por exemplo) que possam estar sensíveis a estimulações externas, o massoterapeuta pode apresentar para os mesmos complementos como músicas relaxantes, iluminação específica (cromoterapia) e essências aromáticas antes de cada sessão.

EXPERIMENTAÇÃO SOMÁTICA PELO TOQUE

Experiência Somática (Somatic Experience – SE) é uma abordagem naturalista para a resolução e cura do estresse pós-traumático e dos seus sintomas, criada pelo Dr. Peter Levine, psicólogo e biofísico americano.tigre de bengala

A SE se baseia na constatação de que os animais selvagens, ao serem frequentemente ameaçados em situações de vida ou morte, raramente são traumatizados. Os animais se utilizam de recursos instintivos para regular e neutralizar os altos índices de ativação encontrados em comportamentos necessários à sobrevivência. Por trauma se entende qualquer ser humano ou animal que, embora tenha sobrevivido a um evento avassalador, não dispôs dos mecanismos apropriados para enfrentá-lo, acumulando um excesso de energia e sintomas em seu corpo e espírito.

Nós, humanos, também possuímos essa capacidade inata de auto-regulação interna (homeostase) frente a situações extremas. Entretanto, possivelmente pelo fato de termos desenvolvido a parte ‘racional’ (neocórtex) de nosso cérebro em demasia, acabamos por suprimir nossas ações instintivas, impedindo que nosso corpo descarregue a energia necessária que foi armazenada para a sobrevivência. Esse acúmulo acaba sobrecarregando nosso sistema nervoso autônomo e dificultando as tentativas de nosso organismo em reencontrar o equilíbrio.

Bioenergética

O trabalho de Levine guarda muitas semelhanças com a Análise Bioenergética de Alexander Lowen (veja wikipedia), embora o mesmo (pelo que se sabe) nunca tenha afirmado isto. Lowen, psicanalista norte-americano que foi aluno de Freud e discípulo de Reich, fundamentou a bioenergética no princípio de que toda a história emocional de um indivíduo fica registrada em seu corpo, originando tensões e couraças musculares que se expressam em seu aspecto corporal e emoções. Desvios posturais da coluna, encurtamentos musculares, dores crônicas e patologias decorrentes seriam manifestações de fatores psicossomáticos e emoções não resolvidas.

Como Funciona?

Como o próprio nome diz, Experimentação Somática significa ‘experimentar’ o próprio corpo, colocando consciência nele. Por meio do rastreamento das sensações corporais, o terapeuta orienta a pessoa a encontrar suas próprias respostas instintivas, dissipando a energia que foi acumulada em situações de estresse pós-traumático. Dores musculares crônicas, restrições miofasciais, fibromialgias e mesmo problemas psicológicos como síndrome do pânico costumam ser sintomas decorrentes de ações instintivas que foram suprimidas em situações que a vida estava em jogo.

O toque como ferramenta

Por ser um trabalho que envolve conscientização corporal e auto-conhecimento, o mesmo pode ser um complemento a qualquer tipo de terapia física, seja ela terapia por massagem, fisioterapia, entre tantas outras. O terapeuta têm como orientar o seu cliente em uma sessão de duas maneiras:

  • Perguntando, à distância, como ele está se sentindo no momento. A partir daí, retornar à pessoa em suas próprias palavras o que ela respondeu, fazendo-a se aprofundar em suas sensações corporais e reconhecer seus limites.
  • Por meio do toque das mãos. Através do toque das mãos, é possível reestabelecer uma ‘onda de coerência’ no corpo. Onda de coerência é uma respiração profunda que acalma e expande as partes sobre-acopladas (regiões do corpo com sobrecarga e acúmulo de tensões) e contêm as partes sub-acopladas (regiões corporais dissociadas, não percebidas pelo próprio indivíduo).
Rastreamento pelo toque

A energia traumática gera ‘compatibilidade’. Uma parte do corpo acaba não se comunicando com a outra. E assim ocorre com as emoções. Elas podem nos prender ou nos libertar. A prisão ocorre quando não queremos senti-las. A libertação quando as deixamos fluir. Deixá-las se manifestarem, sem enaltecê-las, aumenta a conexão com os outros, com a natureza e com nós mesmos. E uma boa maneira para tal é conectando-as ao nosso corpo, gradualmente, e aos poucos.

O que é Massagem?

            Massagem é a manipulação dos tecidos moles do corpo com técnicas específicas que promovem ou restauram a saúde. Os Massoterapeutas usam as mãos para detectar e tratar problemas dos músculos, fáscia, ligamentos e tendões do corpo humano.

           Foto - Massoterapia Clinica Tecido mole é um termo utilizado na massoterapia que compreende os tecidos conjuntivos e os seguintes elementos da estrutura miofascial: pele, fáscia, músculos, tendões e ligamentos. Todos estes, somados, proporcionam a matriz de sustentação exigida para o funcionamento corporal adequado.

            O que é Massoterapia?

            A Massoterapia é a arte mais antiga de tratamento por meio das mãos, sendo um método não invasivo e totalmente natural. A palavra Massoterapia é formada por um radical latino (Masso) que significa amassar/pressionar. Já o termo terapia vem do grego therapia, que significa tratamento. Massoterapia, portanto, é o tratamento realizado por meio da massagem.

           Breve Histórico

            A massagem sempre foi um dos recursos naturais e instintivos de aliviar o desconforto e a dor. Apesar de possuir raízes em diversas partes do mundo, seu crescimento se deu sobretudo na Ásia e na Europa. No mundo ocidental, a prática da massoterapia caiu em desuso desde o declínio de Roma até o século XVIII, quando o Iluminismo (Era da Razão) renovou o interesse na exploração das fronteiras do    conhecimento médico. No início do século XIX, Per Henrik Ling (1813) desenvolveu um sistema de massagem e exercícios médicos que foi disseminado por seus seguidores em todo o mundo ocidental nos anos seguintes. Esse sistema influenciou profundamente o nascimento e o avanço da fisioterapia, e os elementos da massagem tornaram-se o que é conhecido hoje como massagem sueca.

            Formação e limites de atuação.

            No Brasil a profissão possui reconhecimento em nível técnico pelo MEC, com carga horária de, no mínimo, 1.200 horas. Nos EUA a massagem tem formação superior em alguns estados, com diplomas em bacharelado e licenciatura, com duração de 3 a 4 anos. Na Europa a massoterapia também possui licenciatura e credenciamento com formação de nível superior, somando uma carga horária total de 4.200 horas.

            Indicações Gerais.

            A Massoterapia é indicada para os seguintes casos:

  • Dores nos ombros.
  • Amplitude de movimento limitada.
  • Lesões subagudas.
  • Má postura, desvios posturais.
  • Cefaléias tensionais; dores de cabeça; tensão na garganta.
  • Rigidez do pescoço, torcicolos.
  • Dores/dormência no braço; fadiga nas mãos; síndrome do túnel do carpo.
  • Entorses e distensões musculares.
  • Fasceítes plantares, canelites (muito comum em corredores).
  • Lombalgias, ciatalgias.
  • Dores crônicas musculares em geral.
  • Emoções reprimidas (depressão, ansiedade, entre outras*).

       *Em questões emocionais, é aconselhável que a massagem ou terapia corporal seja acompanhada de algum trabalho psicoterapêutico ou de consciência corporal.

         Referências Bibliográficas.

  • Associação Brasileira de Massoterapia Clínica (ABRAMC): http://www.abramc.org.br/.
  • CLAY, James H. Massoterapia Clínica: Integrando Anatomia e Tratamento. Barueri, SP: Manole, 2003.
  • STEPHENS, Ralph R. Massagem Terapêutica na Cadeira. Barueri, SP: Manole, 2008. 262 p.