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Massagem, Toque e Memória Corporal (vídeo)

Qual a relação existente entre a massagem, o toque (sensação) com nossas recordações? Nosso corpo (além do cérebro) também armazena informações, sensações e memórias?

A massagem, ou o simples ato de massagear, é uma ação quase que instintiva do ser humano. Ela se mistura e se entrelaça com um dos sentidos mais básicos que possuímos: o tato.

Sensações corporais, massagem e toque

Por isto, é praticamente impossível determinar a origem da massagem. A mesma se desenvolveu a partir das sensações corporais e do toque. O toque foi uma das primeiras habilidades que utilizamos, quando bebês dentro do útero, para descobrir que existe um mundo externo à nossa volta.

Desta forma, quando utilizamos uma técnica de massagem em uma pessoa ou simplesmente a tocamos com as mãos, não estamos lidando apenas com um aglomerado de músculos, tendões, fáscia, ossos e ligamentos. Somos muito mais do que isso, há também sensações, sentimentos, pensamentos e memórias que estão armazenadas no corpo.

Na infância, quando bebês, temos plena consciência de nossas sensações corporais. Na verdade, nesta fase da vida, somos totalmente conectados com elas, vivemos em plenitude o momento presente! O cérebro racional não está totalmente desenvolvido. Por isto os recém nascidos e as crianças pequenas confiam quase que plenamente em suas sensações internas e instintos, semelhantes aos outros mamíferos.

Trauma e fase intrauterina

Porém, quando o bebê sofre algum trauma na fase intrauterina, ou nos primeiros dias de vida ao nascer, acaba perdendo, aos poucos, essa capacidade de conexão com o momento presente e com as sensações corporais. O neném perde a noção de que ele e a mãe são dois seres separados. Não consegue interpretar de qual local está vindo o leite e o colo, se estes estímulos são externos ou dele mesmo. Somente a partir dos 6 meses de idade que o bebê traumatizado começa a perceber que ele e a mãe são dois corpos diferentes.

E o trauma faz isto conosco: restringe, desde cedo, nossas escolhas, nossa capacidade de expressar as emoções, limita a maneira que nos comportamos e interagimos com o outro. Forma o alicerce de nossas crenças e ideais de vida. Molda nossa memória sensorial-motora e emocional. Também nos desconecta de nosso ser e, aos poucos, vai criando um abismo entre a mente e nosso próprio corpo.

Toque, percepção e comunicação

O sentido primordial que faz o bebê se dar conta de si, de que ele possui um corpo e de que existem outras pessoas e um mundo externo a ele, é o toque. Deste modo, o ato de tocar é o primeiro canal de comunicação que possuímos para perceber nossos cuidadores e o meio ambiente.

Com o passar do tempo, infelizmente perdemos essa faculdade instintiva de inteligência corporal. Nossa mente racional, nossos pensamentos e linguagem falada vão substituindo, pouco a pouco, esta consciência e perspicácia sensorial. Parece incrível, mas é exatamente isto que acontece com muitos adultos: perdemos a noção de que temos um corpo.
Nosso corpo é um arquivo vivo, um repositório de todas as nossas experiências de vida. As memórias não ficam confinadas apenas no sistema límbico do cérebro. Existem também as chamadas memórias experenciais. São emoções ou sensações físicas que nos comunicam sobre uma situação baseada em experiências ou sentimentos passados.

Massagem e percepção sensorial

A massagem, neste contexto, pode ser uma viagem de redescoberta das sensações corporais. Um meio de entrar em contato com a respiração, com nossos pés, de perceber nossa localização no espaço. Não apenas um mero recurso para aliviar os sintomas de ansiedade e de dores musculares crônicas, mas também de reesignifcar e buscar a origem delas. Uma forma de resgatar a percepção sensorial, a alegria e sensação de fluidez que possuíamos quando crianças.

Mais informações no vídeo logo abaixo:

Massoterapeuta, Terapeuta Corporal e Profissional de S.E. Atua há dez anos na área de massoterapia, terapias corporais e de abordagens naturalistas.

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